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17/01/2005 22:42
O caos do mundo
Por: Marcela Melo
Depois de algum tempo em silêncio, uma explosão de sentimentos e pensamentos, ora racionais, ora emocionais, me fizeram tomar coragem para escrever outra vez.
Penso que existem coisas que um ser dotado de intensidade e visceralidade não tem como deixar de fazer. É mais do que necessário por para fora todos esses ensejos.
Não consigo ver sentido na escrita de qualquer assunto, sem que no mesmo haja veracidade de sentimentos, emoções, informações e clareza, para que através destes, tomemos para nós, nossas próprias opiniões e crenças.
A verdade é única para cada um, porque somos unos, embora precisemos uns dos outros para continuar caminhando. Mas precisamos ter em mente que somos únicos em nós mesmos.
Este artigo não tem a menor pretensão de ser o artigo , nem tampouco desejar feliz ano novo, paz, amor, saúde, só porque acabamos de virar mais um ano em nossas vidas.Sendo até um pouco fria, sabemos que nada mudou e que tudo continua como antes, mas já que resolveram dividir o tempo em pedaços, podemos nos aproveitar disto para pensar e rever algumas de nossas atitudes, e não somente neste ano, mas sempre, tomarmos uma nova posição diante de fatos que já chegaram ao caos total entre os seres humanos e na vida.
Posso então dizer que este artigo tem o único objetivo de alertar e fazer pensar, quem se permitir e quem quiser, sobre todas as coisas que nos cercam.
Como a grande maioria dos seres humanos viventes, temos a terrível tendência a fecharmos os olhos para tudo ou quase tudo que diz respeito a nós mesmos, somente pelo fato desta atitude fazer tornar tudo a nossa volta muito mais fácil; Ou seja, continuar caminhando de uma forma vazia, egoísta e solitária, mesmo sem percebermos, mesmo sem atentarmos pra isso, mesmo que involuntariamente.
Quem já leu meus artigos, se deparou muitas vezes com assuntos relacionados ao olhar pra si mesmo. Continuo dizendo que o espelho é nossa realidade e no entanto fugimos dele. Por que? Porque ele nos mostra nosso verdadeiro eu. Nos mostra o que está dentro de nós e que muitas e muitas vezes não queremos enxergar, ou, nos deparar com determinadas circunstâncias e sentimentos. Olhar-se diante do espelho não é nenhuma tarefa fácil e sempre implicará em tomadas de decisões, mudanças, aceitação, dor e algum tipo de sofrimento.
Não estamos dispostos a nos aceitar. Não estamos dispostos a nos despir diante de nós mesmos, de nos olhar a fundo e muito menos, estamos dispostos, ou queremos através disto, crescer, seguir em frente e assim, combater o bom combate se aceitando e acreditando no que é real sem fugir de nada, principalmente de nós mesmos.
A fuga é o retardamento do tempo que nos foi dado para o crescimento. Viver é a arte do encontro, como já disse Vinícius de Moraes, mas não queremos encontrar a nós mesmos, e este é o primeiro caminho.
Sofrimentos são aceitáveis. As dores são inevitáveis e por pior que seja, elas são suportáveis
Cabe somente a nós, o direito de decidir sobre nossas vidas, desejos e vontades.
Se optarmos por jogar fora ou fugir de tudo que está em nossa volta, obviamente tudo se tornará mais fácil , mas não tenha dúvidas que também se tornará muito mais vazio,pois quando resolvemos nos encarar, nos aceitar e mudar, sem sombra de dúvidas, começaremos a encontrar na vida nossos semelhantes. Aqueles que nos ajudarão a ter forças para ir até o fim. Teremos então a certeza de que não estamos sós e a sensação de alívio na alma definitivamente tomará todo nosso ser.
Tragédias tem acontecido todos os dias. Umas mais tocantes que outras, mas confesso que pegar o jornal no primeiro dia do ano e na capa,além da primeira notícia,tantas outras matérias de tragédias misturadas com tanta frieza do ser humano dói demais. Luto, dor, perda. E me pergunto: Onde está o espírito de solidariedade com o próximo?
Realmente não pode existir, se não o temos primeiramente conosco. Aprendi que para amar alguém temos que nos amar primeiro. Mas estamos muito frios para isto. Estamos distantes e fechados para este tipo de relação e aceitação. Estamos cada dia mais covardes. E mesmo sem saber, insistimos em preencher nossas carências, desejos, dores e vazios com coisas fúteis durante todo o tempo.
Tenho observado a frieza e o pânico, levando o ser humano a manter cada dia que passa, um tipo de relação mais superficial com o outro.Qualquer tipo de relação que envolva afeto, carinho e amor são julgadas como perda de tempo, ilusão, imaturidade.
Ora, ora, uma pena, mas as pessoas desacreditaram no amor. E o julgam como algo destrutivo. Perderam a noção do que existiu um dia. De que se nos permitirmos amar e sermos amados, podemos construir muitas coisas, porque é bom que o homem não esteja só, mas o querer é a chave mestra para voltar a este sentimento inicial que o homem jamais deveria ter deixado pra trás.
Admito que jogar o peso da nossa felicidade no outro, só piorará as coisas. Não é isso que falo. Precisamos primeiramente sermos felizes conosco.
Jogar o peso da nossa carência e a total responsabilidade pela nossa felicidade no outro, é algo extremamente imaturo e destrutivo. Ninguém é culpado ou responsável pela felicidade alheia, mas a união equilibrada, a crença no amor e em tudo que este pode construir na vida das pessoas é algo real, saudável que gera vida e abundância de coisas boas que ainda existem neste mundo vil.
Pergunto-me todos os dias que tipo de medo é este que faz um ser humano se defender do outro?
Nosso coração clama muitas vezes em sussurros pelo preenchimento de espaços vazios dentro de nós, preenchimento este, que na maior parte das vezes tentamos mesmo sem saber, tapar com festas, drogas, entorpecentes, sexo casual, amores sem valor.
O que estamos fazemos conosco é o mesmo que tomar café sem cafeína, abraçar sem tocar, escrever uma carta e não assinar, ou chorar sem derramar uma lágrima.
Acreditem. As relações entre nós, seres humanos pode e deve ser baseada em amor. E o amor, ao contrário do que muitos pensam e acreditam é a base sólida para uma vida menos dolorida. Basta querer, deixar e se permitir, para que ele aconteça e traga elevação, construção de coisas e ajuda mútua. Precisamos deixar a voz que grita em nossos corações falar mais alto e mais que isso, aprender a ouví-la e atendê-la.
Não tema a entrega, ela é necessária. É um ato de bravura, de coragem. O contrário sufoca. Faz de nós seres amargos, vazios e sem vida. Fugir deste tão nobre sentimento é covardia, é morte lenta, é uma espécie de destruição de nossa essência que definitivamente se mistura com nossas personalidades e acabamos deixando por aí, em algum lugar.
Não seja solitário;
Dependa, mas dependa primeiro de você;
Peça ajuda;
Ajude;
Seja;
Esteja;
Cuide;
Peça cuidados;
Ame;
Seja amado;
Permita-se;
Viva abundantemente com tudo que te foi dado e verás o quanto este complemento o ajudará a caminhar melhor.
Ninguém é uma ilha ou um pedaço do Ice Berg. Se fôssemos, não necessitaríamos viver em sociedade. Se fôssemos, as pessoas não se esconderiam atrás de meios virtuais, para buscar o que no fundo elas querem e não tem coragem de admitir.
Lance fora agora todo medo de seu coração e ame, viva , permita-se!
Ser feliz é uma arte, mas só depende da gente!
Um abraço,
Marcela Melo
enviada por Marcela
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