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09/05/2004 13:18
UMA CONVERSA ESPECIAL

Por : Marcela Melo


Segundo o dicionário Universal, a palavra equilíbrio vem do latim “aequilibriu” <æ: aqui, igual; libra: peso>, estado de repouso, em que se acham os corpos solicitados por forças iguais e contrárias; justa medida; proporção devida;igualdade de força;
Mas, de todas definições acima, a que me chama mais atenção é PROPORÇÃO DEVIDA.
E o que seria uma proporção devida em nossas vidas? De uma maneira simples, podemos defini-la como uma porção dividida igual em todas as partes do seu ser (corpo, alma, espírito).

Falar em equilíbrio é fácil. Mansidão, temperamento justo e outras coisas mais. O que afeta a maioria da população, hoje em dia, principalmente nas grandes metrópoles, é exatamente o contrário, ou seja, a total falta de equilíbrio, os excessos, ou, melhor dizendo, a desproporção.

Não podemos estudar e tão somente pensar em EQUILÍBRIO como algo ISOLADO de nossas vidas, sem enxergar todo o resto que nos acompanha, para que essa parte se torne verdade dentro de nós.

O que sabemos, mas muitas vezes não tomamos consciência, ou não percebemos claramente, é que o excesso é tão prejudicial quanto a falta.

Devemos pensar que até mesmo - e principalmente - as atividades que nos são prazerosas devem ser feitas de maneira correta; senão, perdem seu sentido. Infelizmente, deixamos o lado selvagem invadir nossas vidas e perdemos a essência Antes vivêssemos como “animais irracionais”,pois estes estão plenamente equilibrado com a natureza.

Assim, podemos falar de uma criança que, ao ir a escola, começa um processo mecânico de aprendizagem. Não recebe educação, não recebe ensinamentos de vida de seu próprio lar. Aquela provavelmente irá rapidamente crescer, chegar aos 40 anos com pensamento de 40 anos; enquanto sua essência, com pensamentos de uma criança de 10 anos. Faltará a sintonia e o equilíbrio entre todas as partes constitutivas do ser, da mente, do corpo e da essência.

Se começarmos pelas pequenas coisas, já será de grande valia. Por exemplo, tentar o controle através de coisas muito pequenas. Um hábito desequilibrado que você possui, como mexer-se muito, isso só fará o outro pensar que você não tem muita confiança em si. Mostra tensão, falta de credibilidade nas pessoas que te observam. Falar compulsivamente é outro exemplo. Se você perceber o quanto fala, verá que a maioria das coisas que diz, não tem peso algum, não acrescentam nada. Fale então somente o necessário. Aprenda a ouvir mais. Outro exemplo é encher sua residência de objetos, móveis e coisas desnecessárias, supérfulas. O ser humano não precisa de metade das coisas que ele tem para viver. Já pensou sobre isso? Aborrecer-se constantemente com pessoas e coisas. Se pararmos para pensar, nada disso vale a pena. Falta busca de compreensão de seu semelhante.

Sofrer em excesso pela solidão assoladora e a busca desesperada por sua saciedade também devem ser repensados. A solidão nem sempre é um estado negativo. Nela, podemos encontrar muitos tesouros, como o espelho que lhe mostra de frente a si mesmo. Estar em contato consigo mesmo é algo apavorante para a grande maioria das pessoas, ao invés de aproveitar esta oportunidade de auto-conhecimento.

Ao contrário, fugimos destes momentos, quando escapamos desenfreadamente do trabalho para o happy hour, do happy hour para a casa de amigos. Com toda essa perturbação emocional e completo descontrole, os vícios também aumentam, as insatisfações se tornam maiores. O homem não consegue mais se sentir feliz com nada. Tornou-se insaciável. Está fisicamente esgotado, emocionalmente neurótico. É como uma droga que, em pouco tempo, perde o efeito em seu organismo e é necessária doses cada vez maiores. Certamente, ele será levado a um caminho sem retorno. Definitivamente, não vale a pena.

Pergunto-me sempre onde estão os valores que outrora existiam. Certa vez, conversando com uma senhora muito sábia, percebi a mansidão com que ela falava do amor, da comunhão, do companheirismo que existiam nos casamentos de antigamente. Era tudo tão simples. O casal unido desempenhava juntos seus papéis. Cada qual na sua função para qual foram designados.

Hoje, a competitividade, a falta de amor, a facilidade de transitar por vários parceiros sem encontrar um que realmente seja ou esteja de acordo com sua conduta de vida é a maior falha que o ser humano está cometendo consigo mesmo. Primeiro, porque quase nunca sabe o que ele deseja realmente; segundo porque deixa de viver o êxtase de um relacionamento feliz e seguro, muitas vezes, por medo; por último, porque está se privando de ser feliz, buscando coisas e pessoas em locais errados.

Olhamos o mundo e podemos perceber o quanto este está degradado. Olhar o céu, apreciar o brilho de cada estrela, o luar, aquela maravilha cósmica, virou entre nós algo esquecido. Quando o fazemos, sentimos que há algo estranho. Ou valorizamos demais aquilo como um grande espetáculo e depois não lembramos mais dele, ou simplesmente falamos: - Isso é besteira...estão lá todos os dias e permanecerão lá para sempre. Será? Será que você existirá para sempre? Será que quando quiser olhar o céu, sentir o calor do sol, poderá fazer isso? É como se arrepender de não dizer “Eu te amo” a uma pessoa que se foi e não voltará mais.

Vejamos os exemplos na própria natureza. Nas escrituras sagradas, já foi dito que nem Salomão, com toda sua riqueza e glória, vestiu-se tão lindamente como os lírios do campo. Você já observou os lírios do campo? Além disso, será que temos observado o sorriso de uma criança? Ou será que estamos muito preocupados com cursos de mestrados, MBA’s , 20 horas de trabalho diários e outros afazeres que nos ocupam demais e nos roubam tempo para parar, por duas horas, e ouvir uma pessoa sábia, idosa, geralmente com pouco estudo da escola, mas ampla experiência de vida, com tantos ensinamentos para nos transmitir,que vão muito mais além do que toda a rotina diária e de toda nossa jornada acadêmica?

Se formos pensar mesmo, vamos verificar que quase nunca ou nunca pensamos no porquê de tantas coisas. Não buscamos respostas, não temos um caminho a seguir, não temos uma meta que fuja dos meios de subsistência humana, do trabalho e da conquista do poder, da exaltação do ego e das satisfações dos desejos mundanos. Simplesmente vamos nos conformando com tudo. “Tudo é normal”. Tudo passa a ser absolutamente natural.

Não deve ser assim. Se a mudança não partir de nós mesmos, jamais será realizada. A pergunta chave é: Será que estou me respeitando, agindo comigo mesmo desta forma, ou será que minhas atitudes não me são “saudáveis”? Atitudes estas que, muitas vezes, dizem respeito a nosso corpo, mente e espírito!

Pode parecer um pouco dramático ou piegas tais colocações, mas é a nossa mais pura e completa realidade! Realidade que quase nunca pensamos a respeito. Realidade que está levando o mundo a um caos total. Só nos esquecemos que vivemos nele.

O processo de mudança é uma coisa fantástica na vida diária da gente!
Permita-se! Confie! Pergunte a si mesmo quais são seus verdadeiros valores! Vale a pena olhar pra dentro de si mesmo. Colocar os olhos no espelho, de vez em quando, e enxergar realmente como somos, o que podemos fazer e repensar todos os nossos valores. Só há uma maneira de fazer isso: separar tudo, fazer a triagem, rejeitar o que é inútil e construir algo novo! Pense nisso!

Um abraço,

Marcela Melo
Jornalista – Assessora de Imprensa
www.mmeloassessoria.com.br
marcela@mmeloassessoria.com.br


enviada por Marcela






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