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27/04/2004 15:23
Texto de Renato Alves
Por: Marcela Melo
Esse mês me dispus a publicar um artigo de um grande homem, com a alma dotada de sensibilidade e que consegue expressar de maneira única tudo que pensa. Hoje ele falará sobre a mulher, seu passado, presente , evolução.
Espero que vocês possam apreciar e pensar sobre este texto que é sem dúvida, uma expressão de verdade pura e nítida. Até a próxima, Marcela Melo
Já não se fazem mais homens como antigamente!... - Bradam comodamente, com certo ar de seriedade filosófica, enevoada por cigarros ardentes e vaporizada por cervejas geladas, durante um happy-hour, após um dia de serviço, aquelas que procuram convencer-se a si mesmas e às ouvintes comparsadas, dos motivos do inexplicável vazio interior e da sensação de perda de algo inefável.
Nada mais correto que tal afirmativa. E nada mais incompleto. Em toda moeda, há duas faces, da mesma forma que, onde há luz, há trevas. Um Sol não brilha, sem uma noite para irromper; uma noite não desfalece, sem um Sol para acalentá-la.
Na pressa da revolução feminista, a mulher atropelou a feminilidade. Mais uma vez, fora ludibriada pela serpente do engano e da mentira. E, novamente, perdeu seu paraíso.
Tinha para si o homem, que, sagradamente, retornava ao lar, no final da tarde, após expediente de trabalho, pronto para tratá-la como sua única e amada companheira. Para recolhê-la nos braços com um sorriso. Para lhe deitar ternos beijos.
O maior prêmio para ele, findo o esforço diário, era os doces lábios de sua esposa, a luz radiante de seu sorriso, a delicadeza de suas formas e o pulsar de sua alma carinhosa.
Aceitava-a e a via, muito além de suas sinuosidades carnais, de suas insignificantes rugas, pés-de-galinha, pneus, estrias e celulites. Via a mulher. Não o pedaço de carne. O tê-la junto de si extrapolava, em anos-luz, a fugacidade sexual.
A maior moda era o vestido mais simples. Não importava o colorido dos panos. Mas as cores luzentes da vestida.
Desfrutavam ele e ela dos momentos íntimos, até o cair da noite. E a manhã seguinte era recebida com mais beijos, abraços, sorrisos e carinhos.
A ocupação dela era educar os filhos de forma honrada e digna, transmitindo-lhes valores, antes de tudo, humanos, plenos de sensibilidade e de candura, que apenas mulheres são capazes de tê-las. Era auxiliar do homem em todas as suas condutas, desde o desabotoar de seu paletó, a decisões financeiras de investimentos de seus bens comuns. Era zelar pelo lar, enquanto o homem zelava pela sobrevivência. Era se manter lindamente feminina, além da carne; enquanto o homem, masculamente masculino, além dos músculos.
Era seguida a lei da natureza. Homem como provedor. Mulher como genitora. Genitar muito além do parir, mas como gerir, assistir, organizar, cuidar.
Ela era capaz de causar verdadeiro furor no sangue do mais inabalável dos homens, meramente com um meigo sorriso e um fogoso olhar. Nada mais era necessário para tanto.
Assim era a vida nos idos.
Malexplicadamente, da mesma forma como até hoje nenhuma autoridade religiosa explicou, convincentemente, por que a turba optou por Barrabás, ao invés de Jesus, vieram os protestos.
Vozes mal preparadas, anêmicas intelectualmente, envenenadas de pensamentos e filosofias degeneradas, interesseiras e falaciosas, gritavam furiosamente por mudanças. Pregavam a consolidação de seus pesadelos insanos sob o engodo de nova vida da mulher.
Queimaram seus sutiãs.
E quedou-se, junto com seus peitos, a feminilidade.
A mulher revolucionária confundiu submissão com servidão.
Permutou a cooperação pela concorrência.
Interpretou delicadeza como fraqueza. A pureza como recalque.
Compreendeu a castidade como perdição.
Negou a inteligência pela gatunagem.
Entendeu independência como brutalidade. A complementaridade como rebaixamento. A liberdade como libertinagem. A autonomia como licenciosidade. A sensualidade como malícia. A sexualidade como apelo.
Trocou o amor pela paixão. O calor dos braços do homem pelo calor do álcool. A fantasia dos sonhos pelo torpe das drogas. O amparo masculino pelo poder aquisitivo.
Viu o homem como inimigo. Contraiu seus vícios. Desprezou suas virtudes.
Criou-se um novo ser. Híbrido e desfigurado. Aparente e desestruturado. Como uma imensa cicatriz na fronte de Monalisa. Uma página rasgada do poema dantesco para Beatriz. Uma Julieta traída por seu Romeu. Uma bela transformada em Medusa.
O que é a mulher hoje em dia?
Financeiramente obcecada. Põe seu delicado e frágil corpo aos golpes do trabalho pelo sustendo. Diariamente, enfrenta três horas de trânsito; doze, dentro de um escritório, em frente a um computador, de costas a ar-condicionado. É assediada por bestas irracionais, chamadas de colegas. À noite, mais duas horas de academia, para tornear seu corpo como objeto de desejo sexual e mais algumas horas de estudos de pós-graduação, para tentar garantir continuidade em um mercado inescrupuloso.
Chegada em casa, ainda tem de tentar ser mulher. Dar boa noite aos filhos que são deixados nas mãos de terceiros, em creches, escolas e cursos e, ainda, tentar dialogar com o marido, antes de se extenuar na cama, para recomeçar a rotina no dia seguinte. Caso seu cônjuge ainda não tenha chegado ao lar, paira a aflição de imaginar se, de fato, está em hora-extra, ou junto de amantes. Isso, quando ainda convive com o marido, ao invés de litigar com o mesmo, por pensão. Libertou-se de algo, ou se tornou prisioneira de uma constante tortura?
Enfermidades predominantemente masculinas, como distresse, infarto, pressão alta, diabetes migraram para o sexo oposto. E, ainda para este, novas surgiram, como depressão. A suave e imperceptível menstruação, em muitas, tornou-se flagelo mensal.
O respeito ao homem foi substituído pela adoração ao dinheiro e ao consumismo. Pela idolatria ao corpo inflado e artificial. O maior valor se tornou o material.
Sexualmente desenfreada. Pula de leito em leito. Orgulha-se de seus ardis e estratégias dissimuladoras. Acumula orgulhosamente suas histórias, para despertar inveja raivosa em suas amigas. Mas, intimamente, roga, com os olhos úmidos de lágrima, por um amor que, talvez, jamais conheceu. Livrou-se, então, da pretensa escravidão sexual, ou se aprisionou, agora, em seus grilhões?
Substituiu a entrega sexual pela vulgaridade banal. Desaprendeu a reconhecer um parceiro decente. E para seduzir um homem, tem de se humilhar a expor seus peitos e glúteos, inchados pelos anticoncepcionais, ou pelos silicones, de forma a apetecer seus pretendentes, como a um cão deparado à vitrine de um açougue.
Seu coração, que batia em felicidade, agora amargura o sofrimento.
Qual mulher pode, verdadeiramente, afirmar que não sente saudades de regressar ao outro tempo, em que ela era tratada de forma adequada, respeitada, amparada e amada? Certamente, a esta pergunta, levantar-se-ão gritos contrários, sustentados por dissertações, teses, sociologias e muitos outros palavrórios. Pediria que a resposta se erigisse de nenhum outro lugar, senão do coração, acima citado. Que mulher não deseja voltar a ser mulher?
Esta é a nova vida pós-revolução. Esta foi a conquista da mulher. Ganhou-se algo? Ou se perdeu?
Não foram os sutiãs opressivos queimados. Mas a dignidade feminina.
Pior. Esta nova-ordem é perpetuada. Sem questionamento. Sem restauração. Como zumbis, autômatas, doutrinadas pela mídia e pelos grupos de domínio, as mulheres transmitem tal modus vivendi a suas crias. Abandonam-nas aos educadores ignorantes. Ensinam seus filhos a ser machistas. E suas filhas, feministas. Ensinam que o sensível não é o feminino, mas o anti-natural. Que o belo não é a mulher, mas seu corpo transformado e sua roupa encarecida. Que o valor do homem está em sua carteira, não em sua sabedoria e fortaleza.
É dito que, por trás de um grande homem, sempre há uma mulher. Assim, dela deve partir o fomento da mudança, da mesma forma que dela partiu o erro da revolução. Outro brado deve acompanhar o primeiro. Que cada um se restitua a seu estado original, verdadeiro. Perceba-se a deploração de vida que levamos atualmente. E que também se ouça:
- Por favor, façam-se mulheres como antigamente.
enviada por Marcela
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