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27/10/2003 03:29
Distúrbio Afetivo Bipolar

Por Marcela Melo

Vamos falar hoje sobre uma doença que vem atingindo milhões de pessoas no mundo inteiro e por isso, tornou-se assunto de grande importância hoje em dia : O DAB- Distúrbio Afetivo Bipolar.

Esse transtorno, caracteriza-se por uma elevação do humor e aumento da energia e da atividade em algumas fases, chamadas fase maníaca. Em outras, apresenta um rebaixamento do humor e de redução da energia e da atividade, por sua vez, chamada depressão. Pessoas que sofrem somente de episódios repetidos de hipomania ou mania são classificados como bipolares. Muitas vezes o paciente não percebe que tem esta enfermidade, e é necessário que familiares e amigos estejam bem informados, e saibam reconhecer alguns dos seus sintomas para poderem encaminhá-lo a um tratamento adequado. A pessoa com Distúrbio Afetivo bipolar, pode apresentar grandes oscilações no seu estado de humor, atrapalhando muito o andamento de sua vida no trabalho, nas relações afetivas e familiares.

Vamos explicar melhor como tudo acontece:
O Distúrbio afetivo bipolar é uma doença incurável, e os primeiros sintomas aparecem entre os 24 e 30 anos e não tem cura, segundo a medicina.

Em fase de mania, o sujeito apresenta uma elevação do humor fora de proporção e uma agitação completamente descontrolada. Existe também um aumento da energia que leva o sujeito à hiperatividade. Ele não consegue mais ficar parado, sentado por mais do que alguns minutos ou relaxar.

Existe um desejo muito grande de falar e uma redução muito grande da necessidade de sono. Não conseguem manter a atenção, e existe uma grande distração em seus pensamentos. O sujeito apresenta freqüentemente um aumento de sua auto-estima com idéias de grandeza e um aumento muito grande de suas capacidades. Em alguns casos há perda das inibições sociais que pode levar a condutas imprudentes, inapropriadas ou deslocadas.

Mesmo estando alegre demais, as chamadas euforias descontroladas, explosões de raiva e muita agressividade podem acontecer, geralmente provocadas por algum motivo externo, ou por nada, mas da mesma forma como aparece se desfaz, só que deixa uma grande dor emocional, um sentimento enorme de arrependimento e vergonha de se redimir.

"Lembro quando eu estava na fase maníaca, tinha um raciocínio extraordinário, uma criatividade assustadora e era capaz de fazer mil coisas ao mesmo tempo. E pior, era admirada e tinha até inimigos invejosos! Eu era incansável, cheguei a ganhar mais de 10 mil reais ao mês devido as minhas horas extras. Comprei um carro zero e um apartamento à vista. Aí veio a depressão e fui demitida.Hoje estou aqui, com tremores e muito deprimida, esperando a nova medicação agir. Mas eu fecho os olhos e reflito: "eu, ainda prefiro a verdade, não quero a mentira. Se a minha verdade é uma personalidade oprimida e melancólica, deixo essa depressão vir à tona, para que eu possa entender as minhas aflições e perdoar-me, deixando-me livre para viver." Diz Victória, 28 anos."


Lorenza, 27 anos, diz que ainda sente muito o desejo de não dormir, faz qualquer coisa para não dormir e tem todos os sintomas citados acima, inclusive uma vontade imensa de aparecer, sentimentos de grandeza, superioridade, auto estima elevadíssima, elevação de humor fora das proporções e muita depressão minutos ou horas depois dos momentos de euforia, seguidas de muita agressividade, descontrole e crises nervosas.
" Ainda me sinto um pouco agressiva na hora de expressar meus pensamentos para as pessoas. Não sei se isso faz parte da minha personalidade ou se é ainda sintoma da doença. Ela não tem cura, eu sei, e isso é o que dói mais."

Os episódios de mania ainda podem vir seguidos de e idéias delirantes (em geral de grandeza) ou de alucinações ou de muita agitação, de atividade motora excessiva e de fuga de idéias de uma gravidade tal que o sujeito se torna incompreensível ou inacessível a toda comunicação normal. Esses são os sintomas maníacos psicóticos. E para entender melhor esses quadros dessa doença que vem atingindo um grande número da população, vamos explicar como o paciente se sente.

Em geral ele se sente muito bem, invencível e não tem limites para suas capacidades e energia, podendo ficar dias sem dormir. Em fase de mania ele tem mil idéias, planos, conquistas e se sente frustradísssimo se a incapacidade dos outros não deixar ele ir além. Ele não consegue acabar de expressar uma idéia e já está falando de outra numa lista interminável de novos assuntos. Em alguns momentos ele fica muito furioso e não se intimida com nada, nem com ameaças. Não reconhece autoridades ou posições superiores às suas, e com a mesma rapidez com que se zanga, esquece o ocorrido como se nunca tivesse acontecido nada. As coisas que antes não o interessava mais, causam-lhe agora prazer. Mesmo as pessoas com quem não tinha bom relacionamento, são para ele agora muito especiais. Nessa fase, o doente, pode muitas vezes rir da própria desgraça e pode ainda se considerar-se um escolhido por Deus, uma celebridade, um líder nato. Inicialmente quando os sintomas ainda não se aprofundaram o paciente sente-se como se fosse ou pudesse ser uma grande personalidade, e com o aprofundamento do quadro, essa idéia torna-se uma convicção delirante.

"Sempre me achei melhor, mais poderosa e completamente inteligente do que todos que estavam a minha volta. E em tudo que fazia, quando de alguma forma percebia que não era a melhor, eu parava e quando tinha certeza que era a melhor mesmo, ficava e por isso nunca consegui ser empregada de ninguém e tive que montar minha própria empresa para eu mandar e desmandar no que quisesse como quisesse a hora que quisesse", diz Ludmila, 29 anos, hoje desempregada por causa da doença.

Continuando a falar sobre os sintomas dessa doença, em alguns casos, o senso de perigo fica comprometido, e ele pode envolver-se em atividade que apresentam tanto risco para integridade física como patrimonial. O comportamento sexual fica excessivamente desinibido e mesmo promíscuo tendo numerosos parceiros num curto espaço de tempo.

"Eu tinha pensamentos constantes desse tipo, assaltar um banco, fazer uma loucura, dar um golpe grande, pelo simples prazer de me divertir, mas nunca cheguei a executá-los porque contava sempre para alguém que não me deixava fazer. Esses pensamentos vinham principalmente quando bebia, e não bastando, ainda tinha que ficar com alguém quando saia. Tinha que me sentir desejado. Um relacionamento sério não era interessante e não passava pela minha cabeça. O grande barato era quantas parceiras eu teria num pequeno espaço de tempo.As explosões de raiva vem e eu tenho que agredir alguém, depois que eu agrido, ela passa, mas a dor é muito grande e vem a pergunta consciente: por que fiz isso?"- diz Renato, 31anos.


A Fase Depressiva

Na fase depressiva, ocorre o posto da fase maníaca, o paciente fica com profundos sentimentos de tristeza, desespero e auto-estima baixa. Não se interessa pelo que costumava gostar ou ter prazer, cansa-se à-toa, tem pouca energia para suas atividades habituais, e dificuldade para dormir, por sentir falta do sono, permanece na cama por várias horas e o amanhecer torna-se um tormento para os deprimidos, pois sabem do dia que terão pela frente. Normalmente apresentam dificuldades em concentra-se no que faz, os pensamentos ficam muito lentos e as idéias e comentários demoram a ser compreendidas e assimiladas. Da mesma forma a memória também fica prejudicada. Os pensamentos costumam ser negativos, sempre em torno de morte ou doença. É o que levam muitos ao suicídio.

"Por mais que tivesse sono evitava dormir, porque tinha que aproveitar ao máximo o tempo acordada, principalmente a noite. Idéias de suicídio eram constantes em mim. Podia tudo estar certo em minha vida, mas achava que a única maneira de ter paz era morrendo. A luz do dia me dava nojo", - diz Diego, 34 anos.

Mas nem tudo está perdido. Entre uma fase e outra a pessoa pode ser normal, tendo uma vida como outra pessoa qualquer. Outras pessoas podem apresentar leves sintomas entre as fases, não alcançando uma recuperação plena, mas há também os pacientes, uma minoria, que não se recuperam, tornando-se incapazes de levar uma vida normal e independente.

Embora a medicina diga que essa doença tem atingido 1% da população no mundo, a realidade que encontramos parece bem diferente: Os consultórios psiquiátricos estão cheios de diagnósticos bipolares. Hospitais psiquiátricos com inúmeros pacientes bipolares internados.

Até a Internet já tomou conta de formar grupos de apoio à esses doentes que trocam idéias, sofrimentos e progressos em seus tratamentos e tratamentos de parentes. O E Grupos tem uma lista de participantes bipolares que tem sido um sucesso e ajudado há muitos, é o que diz um dos membros da lista chamada Distúrbio de Humor. Para participar, basta acessar o site http://www.grupos.com.br/grupos/disturbios_do_humor/ e se inscrever. Esse grupo foi fundado em maio de 2000 e conta hoje com mais de 144 assinantes.

Thalita, 24 anos, descobriu que era bipolar, quando ingressou na lista e começou a compartilhar idéias com seus amigos listeiros. Até então, ela não entendia suas crises de excessos, como ela mesma diz, e suas depressões com alegrias descontroladas, principalmente quando fazia uso de álcool. Mas seu maior problema era nunca ter conseguido terminar nada que começava, uma das características dos bipolares. Hoje, ela está em tratamento e se sente muito melhor.






Algumas dicas são dadas por especialistas para os portadores de Transtorno Bipolar:

A pessoa mais interessada no próprio bem-estar é quem está doente. O paciente com Distúrbio Afetivo bipolar, tem uma doença que costuma durar a vida toda, que se mantém sob controle com tratamento adequado. Cabe a ele o esforço de manter o tratamento: é ele quem toma os medicamentos - ou não. Ninguém pode forçá-lo, a não ser em situações que ponham em risco a sua segurança ou a de outros. Portanto, se você é portador do transtorno bipolar:

- Comprometa-se com o tratamento discuta dúvidas com seu médico, eficácia dos estabilizadores do humor, intolerância a efeitos colaterais, etc.;

- Mantenha uma rotina de sono; mudanças no sono ou redução do tempo total de sono podem desestabilizar a doença; converse com seu médico, caso precise mudar o hábito de dormir;

- Evite álcool e drogas; além de interagirem com algumas medicações, também agem no cérebro, aumentando o risco de desestabilização da doença; se tiver insônia ou inquietação, não se automedique - converse com seu médico;

- Evite outras substâncias que possam causar oscilações no seu humor, como café em excesso, drinques, antigripais, antialérgicos ou analgésicos - eles podem ser o estopim de novo episódio da doença;

- Enfrente os sintomas sem preconceito - discuta com seu médico sobre ele;

- Se não estiver podendo trabalhar, "não queime o filme" - é mais sensato tirar uma licença, conversar com a família ou com o patrão, e se permitir convalescer;

- Lembre-se: você está bem por tomar a medicação; se parar de tomá-la, mesmo após 5 ou 10 anos, os sintomas podem voltar sem prévio aviso; é preciso manter-se alerta para o aparecimento dos primeiros sinais, como insônia e irritabilidade;

- Há indícios de que quanto mais crises da doença a pessoa tiver, mais ela continuará tendo, por isso, procure participar ativamente do tratamento;

-Descubra seus sintomas iniciais de nova crise depressiva ou maníaca - tome nota e avise imediatamente seu médico;

- Aproveite períodos de bem-estar para redescobrir como você de fato é; como são os sentimentos de tristeza, alegria, disposição e como você lida com seus problemas;

- Quanto mais você conhecer a doença, melhor você poderá controlar os sintomas no período inicial; proteja-se: evite estímulos de risco em potencial, como decisões importantes, relações sexuais sem preservativos, projetos ambiciosos, gastos - ponha seus planos no papel e espere para executá-los quando se reequilibrar; procure canalizar hiperatividade ou idéias negativas para atividade física ou manual; se estiver deprimido, dê-se um empurrão, pois a iniciativa está em baixa;

- Procure e aceite ajuda da família e dos amigos quando perceber que não consegue se cuidar sozinho

- É comum querer parar o tratamento, ou porque vai tudo bem, ou porque não está dando certo; procure conversar com outras pessoas com o mesmo problema, que já passaram por isso; lembre-se de como era seu sofrimento; discuta com a família se valeria a pena buscar uma segunda opinião sobre o diagnóstico e o tratamento.

- Temporariamente o paciente pode ficar inapto a se tratar adequadamente. Nestas fases a intervenção amiga da família é fundamental.

Fonte: www.abrata.com.br e www.psiconet.org.br

enviada por Marcela






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